Há algo de discretamente radical na escolha de comer num prato feito à mão.
Não porque isso faça a comida ter um sabor melhor — embora de alguma forma o faça — mas porque muda o ritmo da refeição. Repara-se no vidrado. A ligeira variação de cor de um prato para o outro. O peso que tem nas mãos. Diminui-se o ritmo sem querer.
É isto que a cerâmica portuguesa faz. E não é por acaso.
Portugal fabrica cerâmica há séculos — muito antes de se tornar uma tendência, muito antes de alguém usar a expressão "slow living". Em cidades como Alcobaça, Caldas da Rainha e ao longo da costa atlântica, o barro tem sido moldado, cozido e vidrado por artesãos que aprenderam com os seus pais, que aprenderam com os deles. O ofício carrega memória.
O que torna o grés português diferente
O grés português é cozido a altas temperaturas, o que o torna denso, durável e resistente às exigências do uso diário. Vai do forno à mesa sem queixas. Sobrevive à máquina de lavar louça. Lasca menos do que seria de esperar.
Mas a durabilidade não é o que o torna especial. O que o torna especial é o vidrado reativo — a técnica em que a cor varia numa única peça dependendo de como o calor do forno se moveu através dela. Não há duas peças idênticas. O índigo num prato de jantar aprofunda-se para azul-marinho na borda e clareia para azul-celeste perto do centro. O ocre num prato de sobremesa capta a luz quente de forma diferente ao pequeno-almoço do que ao jantar.
Não está a comprar um produto. Está a comprar um momento da atenção de um artesão.
A mesa lenta como uma prática diária
O slow living é frequentemente descrito como uma filosofia sobre o tempo — fazer menos, estar presente, resistir ao ritmo da vida moderna. Mas começa em algo concreto. Começa na mesa.
Uma mesa deliberadamente posta — não perfeita, não estilizada para uma fotografia, mas escolhida com cuidado — muda a qualidade de uma refeição. Cerâmica feita à mão ao lado de guardanapos de linho, um simples prato de azeite, pão num saco de linho. São coisas pequenas. Acumulam-se.
Na Niddy Noddy, é isto que selecionamos. Não coleções, mas uma forma de comer. Objetos que ganham o seu lugar à mesa por serem bem feitos e cuidadosamente escolhidos.
A cerâmica que temos vem de Alcobaça, Portugal. Cada peça é moldada e vidrada à mão. Cada uma é, no sentido mais verdadeiro, única.
Comece por algum lado
Não precisa de substituir tudo de uma vez. Comece com um conjunto de pratos. Ou uma única taça de salada. Ou uma caneca que usa todas as manhãs.
A mesa lenta é construída gradualmente, peça por peça — como a maioria das coisas que valem a pena ter.